Freixo reclama de fake news contra Marielle Franco e advogadas reúnem denúncias

“Estão matando Marielle pela segunda vez”, protestou o deputado antes de ato de moradores da favela da Maré em homenagem à vereadora nesta tarde

Marcelo Freixo/ Twitter

A  disseminação de notícias falsas sobre a vereadora fluminense Marielle Franco (PSOL), assassinada junto ao motorista Anderson Gomes na última quarta-feira (14), tem provocado revolta entre seus apoiadores. O deputado estadual Marcelo Freixo classificou os boatos como uma “perversidade” e atribuiu os comentários depreciativos à memória de Marielle a um “grupo de imbecis”.

“Isso é um duplo homicídio. Estão matando a Marielle Franco pela segunda vez”, reclamou Freixo antes do início de uma manifestação de moradores da Favela da Maré em homenagem à vereadora na tarde deste domingo (18).

A proliferação de fake news contra a parlamentar que era reconhecida pela defesa dos direitos humanos e pela luta em causas ligadas a minorias motivou um grupo de advogadas a se engajarem no combate a esses boatos.

O escritório EJS Advogadas montou uma força-tarefa para receber denúncias sobre essas notícias falsas e encaminhá-las à Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) da Polícia Civil do Rio de Janeiro. De acordo com a Globonews, já chegaram ao escritório das sócias Evelyn Melo, Juliana Durães e Samara Castro cerca de 2 mil denúncias desde a última quinta-feira (15).

Uma das fake news contra Marielle que ganharam mais notoriedade foi a de que a vereadora teria sido casada com o traficante Marcinho VP (Márcio Amaro de Oliveira) – que comandou a venda de drogas no morro Santa Marta, na zona sul do Rio, e acabou morto em 2003. A versão chegou a ser compartilhada até mesmo pelo deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), que é coronel da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal.

Ainda nesse sábado (17), o PSOL anunciou que iria representar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra a desembargadora Marilia Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). A magistrada acusou Marielle de ser “engajada com bandidos” e de ter sido “eleita pelo Comando Vermelho”, a maior facção criminosa do Rio.

Homenagem a Marielle

Centenas de pessoas saíram da Vila do Pinheiro e seguiram pela Linha Amarela e Avenida Brasil neste domingo para homenagear a vereadora do PSOl. Com o apoio de um carro de som, carregando faixas e cartazes, vestindo camisetas estampadas com o rosto de Marielle, os moradores se juntaram a centenas de pessoas vindas de outros bairros.

A líder comunitária Flavinha da Maré, uma das organizadoras do protesto, destacou que Marielle não era apenas vereadora da localidade, mas uma representante das mulheres negras e pobres. Artistas de televisão também estiveram presentes, como a atriz Camila Pitanga, que ressaltou o legado deixado por Marielle.

Nascida no Complexo da Maré, Marielle Franco era socióloga, com mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Foi a quinta vereadora mais votada nas eleições de 2016.

Marielle Franco foi assassinada com quatro tiros na cabeça, quando ia para casa no bairro da Tijuca, zona norte do Rio, retornando de um evento ligado ao movimento negro, na Lapa. A parlamentar viajava no banco de trás do carro, quando os criminosos emparelharam com o carro da vítima e atiraram nove vezes. Além da vereadora, também morreu no ataque Anderson Gomes, que trabalhava como motorista para o aplicativo Uber e prestava serviços eventuais para Marielle. Uma assessora que também estava no carro sobreviveu ao ataque.

*Com informações e reportagem da Agência Brasil

Publicado originalmente em: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2018-03-18/marielle-franco-fake-news.html

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